1822, 1964 e 2009

Sobre as cenas desta semana que foram à TV por conta do caso Arruda e do dinheiro na cueca, no sapato e no panetone das criancinhas pobres, que lamentavelmente, envolve muita gente que era considerada ilibada, vale lembrar que parece ser de extremo interesse do Roriz que o Arruda se dê mal, para que Roriz possa mais facilmente voltar ao comando do DF. Daí esse circo todo. Nenhum dos dois é anjo ou santo.

O povo está muito mal servido. Um manda a polícia bater e o outro manda parar, durante a madrugada, a edição ou publicação de um jornal diário, além de fazer inchar o DF de pessoas em situação imobiliária irregular com uma notória estratégia populista de longo prazo. Sinais claros do patrimonialismo e do totalitarismo.

Hoje, o ranso de ditadura está presente no ar. Afinal, de quem é o Estado? Do povo ou do governante? De quem são os meios de comunicação? Há verdadeiramente liberdade de imprensa? Por que a polícia levava o jovem para longe das pessoas e câmeras? Por que atacaram o cinagrafista com spray de pimenta e balas de borracha? Foi para esconder tortura? Foi para esconder o excesso de exação? De qualquer forma, isso também denota o caráter e a prática comum da polícia no Brasil, contrariando a utópica CF/88 e suas derivações, regras complementares e etc.

No Brasil de hoje, utiliza-se da administração pública burocrática para manter a prática da gestão pública patrimonialista e adiar ao máximo a tão sonhada gestão pública gerencial, de transparência e verdadeiros resultados para a coletividade. Lembre dos condes, viscondes e outros nobres dos tempos do império e de que hoje, qualquer plebeu, pobre ou rico, se precisar de um asfalto ou vaga em instituição pública, tem que ou pode pedir bênção a um político profissional, um vereador, um deputado. Até os cargos públicos são loteados! Daí o pouco interesse, em alguns estados, de manter motivados no quadro efetivo, os gestores governamentais. Se suas funções poderiam ser loteadas na próxima eleição em troca de “apoio” político, que agente político ou governante teria interesse em garantir uma administração gerencial para o Estado já que manter-se vivo eleitoralmente e inchar a folha de pagamento com reféns eleitorais é muito mais importante e proveitoso.

Afinal, as palavras de hoje são patrimonialismo, totalitarismo, ditadura e, é claro, pois não pode ficar de fora da nossa atenção, a ameaça bolivariana, pois oportunismos políticos temperam de estrume humano aquilo que deveria ser sério por aqui, a política.

O Dia Nacional da Habitação e As Ciclovias

Como poderia haver dignidade em termos de vizinhança e de cidade sem um sistema urbano de transportes de dignifique o cidadão? As ciclovias são uma resposta global.

Hoje é o dia nacional da habitação e teve um café da manhã aqui na AGEHAB-GO com a presença de vários movimentos sociais pela moradia, de políticos e de demais atores do cenário habitacional.

Tive a oportunidade de conhecer e conversar com o vereador Maurício Beraldo, pessoa animada e motivada. Ele é o autor da lei das ciclovias e um dos mais importantes colaboradores do Plano Diretor de Goiânia. Atualmente, ele é o presidente da comissão de habitação, urbanismo e ordenamento urbano na Câmara Municipal.

Conversei com ele sobre a urgência da implementação da lei das ciclovias, que até hoje encontra-se na prateleira da prefeitura, e sobre a questão das calçadas completamente descuidadas e disformes e que, pelo espaço que ocupam nas principais avenidas de nossa capital, servirão de apoio para a implantação de ciclovias (segregadas), ciclofaixas e faixas compartilhadas, derrubando a tese ou desculpa pálida defendida por alguns de que seria impossível implantar ciclovias em avenidas pré-existentes.

Sobre quem tem interesse positivo ou negativo nesse projeto, tenho uma conclusão capitalista em mente: se alguns, por conta de seus negócios já estruturados nos ramos automobilístico ou de transportes, não têm interesse de que as capitais do Brasil se aproximem do modelo mais próximo de ecologicamente correto o possível e já há muitos anos implantado na Europa, pode ser do interesse de outros que estão nos ramos de estacionamentos, fiscalização e ciclismo que a implantação do sistema cicloviário ocorra o mais breve possível. Os empresários sem medo de mudanças ou os dispostos a investir em novas tendências poderão se beneficiar muito do que desponta no horizonte de nossas ruas e avenidas, umas congestionadas, outras velozes, muitas mortais, tantas imorais e fumacentas.

As bicicletas e seu universo estão chegando para consolidarem-se como o mais comum meio de transporte, comendo por fora, igual a mineirinho, mas quem já aderiu à causa não pretende largá-la. Quem já provou, sabe o que é bom e o que funciona. Vai a Paris, vai a Amsterdã, vai a Bruxelas! Experimenta!

Abrindo um comentário pertinente aqui, bicicleta não é só transporte de pobre. Detesto a segregação social velada, a hipocrisia pseudo-burguesa que existe aqui em Goiás, mas falando a verdade, os consumidores arrogantes e desinformados acham que bicicleta é meio de transporte somente (com todo o meu respeito e desejo de prosperidade a todos) para pedreiros, serventes da construção civil e entregadores de supermercado. A bicicleta é para todos. A bicicleta é o que há de bom em termos de transporte urbano. Bom será quando eu, sem medo de ser atropelado, puder deixar o meu carro em casa e não pegar aquele ônibus desumano (depois posto aqui meus comentários sobre a linha 016 da RMTC que escraviza os motoristas e saculeja e comprime os usuários desacostumados com dignidade).

Para os empresários e investidores em geral, uma dica de oportunidade: Projeto de lei federal prevê isenção de tributos para bicicletas (http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=138676).

Em nome de Jesus Cristo, que o Altíssimo abençoe a todos.

Política Mata Animais no Zoológico

Na mente dos conspiracionistas, mais uma conspiração consta na lista dos suspeitos pela morte dos animais do zoológico de Goiânia. Seria a vontade de levar o zôo para Senador Canedo que levou alguém a tomar atitudes desesperadas e contratar um especialista para assassinar um hipopótamo, uma girafa e um jacaré-açu além de outros animais? Que arma teria usado? Será que o ataque foi corpo-a-corpo ou será que usou uma arma de longo alcance para injetar microorganismos nos animais? Será que os investigadores não deveriam fazer uma perícia no couro dos aminais para verificar cicatrizes suspeitas?

Fico imaginando o tipo de arma e o tipo de projétil usados, pois quem conseguiria, com máxima perícia, perfurar um hipopótamo e um jacaré? Então, deixa essa história de consipiração pra lá.

Essas mortes não devem ter a motivação que mencionei, nem mesmo a vontade de levar esse zoológico para o município de Senador Canedo ou de fazer um teleférico para lá, de fazer o trem-bala Goiânia-Brasília, de implantar aquele metrô movido a diesel (risos) ou de retomar o projeto do lago de Bela Vista.

Na verdade, a política que matou os animais do nosso querido “Horto” é a política do “deixa como está”, a política da falta de prioridade para os interesses do cidadão. Não é só o zoológico que está assim. Também morreram brinquedos no parque Mutirama, tem árvores e cursos d’água morrendo nos nossos parques, todos cercados de prédios e seus esgotos. Onde vai parar tanto esgoto? Tem muita árvore morrendo nas nossas ruas. Tem muita paisagem que já morreu para patrocinar a expansão do comércio, suas fachadas, suas garagens e suas calçadas quebradas. Aliás, as calçadas estão morrendo também. Muita calçada já morreu, por sinal. Aliás, tem calçada que nem nasceu em plena avenida. Os próprios cidadãos se vangloriam com um machado, um facão e uma lata de Tórdon nas mãos: “depois a própria prefeitura vem e corta a árvore morta”. Não existe lei que obrigue o replantio de uma árvore cortada pela própria prefeitura ou ao menos parece que não existe.

Queremos mais vida na cidade. Queremos mais vida e não morte.

Após o desabafo, aproveito a ocasião para repassar um importante convite que chegou a mim pelo e-mail.

Movimento Bicho Amigo de Goiânia abraça o Zoológico

Movimento Bicho Amigo de Goiânia abraça o Zoológico

O que a cidade precisa?

  • A cidade precisa de iluminação mais baixa e moderna. Chega de ver as pessoas às escondidas matando as árvores com Tordon para que a prefeitura venha depois cortá-las e a rua ficar “mais iluminada” à noite.
  • A cidade precisa que exista uma lei e a mesma seja cumprida: a lei de que uma árvore cortada implica em outra árvore do mesmo porte plantada no mesmo local ou em um local mais próximo até 10 metros e em até 10 dias.
  • A cidade precisa de mais sombras, logo precisa de mais árvores adultas. É incrível, mas parece que as mudas também são contadas como área verde. Mudas não fazem sombra e não influenciam no microclima se não forem centenas de milhares das mesmas numa mesma cidade.
  • A cidade precisa de pessoas mais educadas. Isso é para que não continuem matando as árvores que a prefeitura planta e nem dirigindo/pilotando como verdadeiros monstros.
  • A cidade precisa de ciclovias. Preciso chegar ao trabalho mais rápido sem correr o risco de ser atropelado pelas pessoas mal-educadas aí do item anterior. Quero parar de emitir CO2. O meu carro é muito grande e poderia ser menos utilizado.
  • A cidade precisa de cabeamentos (fiação) subterrâneos e abandonar gradativamente o modelo de fiação aérea. Chega de ver a companhia energética podando as árvores em forma de “Y” e de “U” para os seus fios passarem. As árvores acabam doentes e depois caem em cima dos carros parados nas já raras sombras.
  • A cidade precisa de pedágio para veículos motorizados nas zonas centrais. Assim mais pessoas vão aderir ao ciclismo como meio de transporte e sobrará mais espaço para novos ônibus elétricos ou movidos a hidrogênio circularem.
  • A cidade precisa que a prefeitura seja responsável por cuidar das calçadas. Os proprietários dos imóveis não se interessam por cuidar de um bem que é público, um equipamento que é utilizado por todos. Ninguém pode padronizar calçadas e organizar tão bem as paisagens de uma cidade quanto a prefeitura da cidade.
  • A cidade precisa que o estado leve o progresso, mais empregos e mais valorização imobiliária para o interior, pois uma cidade inchada e cheia de periferias e guetos favorece plenamente a promoção da violência. Cidades em melhor distribuição e organizadas internamente contém pessoas mais felizes, organizadas e calmas.
  • Cidade Toco de Nova Casa

    A Cidade Toco agora está no Blogger (ou blogspot, como queira, pois parece que a google comprou e redireciona sozinho): http://cidadetoco.blogspot.com/

    Agradecimento Pela Dengue

    Gostaria de agradecer aos comerciantes, empresarios, trabalhadores e moradores do Setor Aeroporto pela qualidade que emprestam aquele bairro.

    Tambem trabalho ali, na rua 18-A, na AGEHAB. Sou servidor publico e o meu salario eh pago pelos impostos de cada um dos senhores e das senhoras.

    Acontece que estou de atestado medico porque contrai dengue. Isso aconteceu ali mesmo, pois eh o unico lugar da minha vida goianiense que nas ultimas semanas tenho visto mosquitos Aedes aegypti e, nao por coincidencia, muito, muito lixo na rua, nas calcadas. Penso assim: se na rua esta assim, imagine como deve estar dentro de cada quintal.

    Lixo

    Lixo

    Por exemplo, alguem ja foi naquele chaveiro ali por tras do comercio na praca do aviao? Quem for, encontrara um cenario surreal de todo tipo de entulho, como eteceteras, privada, pia, torneiras, calhas, azulejos, canos soldados em varios angulos e colocados de toda forma possivel atraves do pequeno quintal sob uma quase morta laranjeira.

    Esse eh um unico exemplo que eu pude ver, mas atras de cada casa murada e cada comercio com “backyard” existe um misterio neste bairro de uma cidade dita de alta-qualidade de vida que fica em um pais tropical, endemico e porco onde a ordem seria progresso.

    Obrigado, senhoras e senhores, por tres noites alucinantes em uma febre constante e de alto nivel e que nao passava com o Naldecon. Obrigado por um dia inteiro de estadia no pronto-socorro do Hospital Sao Francisco de Assis embalado por sei-la-o-que na veia que finalmente me deu algumas horas de sono continuo. Obrigado, candidos moradores, empresarios e trabalhadores do Setor Aeroporto, por me emprestarem momentos de torpor em Tylenol 750 que me aliviaram da urina ardente e cor de guarana, tonturas, dores nos olhos e enjoos. Obrigado, cidadaos honestos, limpos e aciados, por me ajudarem a perder peso.

    Soro

    Soro

    24 de Outubro

    Hoje eh aniversario de Goiania. A cidade-toco exemplo para o Brasil.

    Ontem passava uma propaganda muito cara na TV, com um jingle muito bem produzido e com texto e imagens que levantavam a auto-estima do goianiense com uma injecao poderosa de sofisma baseada nos monumentos que existem na Versailes de Atilio Correia Lima e na cidade-jardim de Armando de Godoy.

    Vou listar aqui os monumentos que vejo todos os dias nas cenas reais dessa capital.

    Pena que o goianiense nao tem muitas referencias. Ele tem tanto orgulho disso aqui que nao consegue ver que Brasilia estah melhor… Pois eh! Brasilia. Brasilia estah muito melhor. Brasilia tem muito mais arvore por habitante e ninguem aqui acredita nisso. Arvore mesmo, nao eh muda de arvore nao. Muito menos quebrada ou morta. Parece que nas contagens do nosso prefeito entrou de tudo para fazer dessa nossa cidade-todo, a cidade mais verde do Brasil. O bom exemplo e a contra-prova esta bem perto, lah no Plano Piloto.

    Parques… Para que mais parques para um morador das super-quadras tem um bosque de frente aa sua janela?

    Lagos… Para que meia-duzia de pequenas represas, uma ou outra com cheiro de ovo, para quem pode andar de lancha no Paranoah?

    Afinal, parabens, Goiania! Voce tem um povo que te ama tanto que nao ve os seus defeitos e portanto, ninguem se esforca para te melhorar de verdade. Na verdade, fecham os olhos para os que estao aqui so para arrancar o dinheiro deles.

    Ah! Monumentos… Em Brasilia tambem tem mais monumentos.