Como poderia haver dignidade em termos de vizinhança e de cidade sem um sistema urbano de transportes de dignifique o cidadão? As ciclovias são uma resposta global.
Hoje é o dia nacional da habitação e teve um café da manhã aqui na AGEHAB-GO com a presença de vários movimentos sociais pela moradia, de políticos e de demais atores do cenário habitacional.
Tive a oportunidade de conhecer e conversar com o vereador Maurício Beraldo, pessoa animada e motivada. Ele é o autor da lei das ciclovias e um dos mais importantes colaboradores do Plano Diretor de Goiânia. Atualmente, ele é o presidente da comissão de habitação, urbanismo e ordenamento urbano na Câmara Municipal.
Conversei com ele sobre a urgência da implementação da lei das ciclovias, que até hoje encontra-se na prateleira da prefeitura, e sobre a questão das calçadas completamente descuidadas e disformes e que, pelo espaço que ocupam nas principais avenidas de nossa capital, servirão de apoio para a implantação de ciclovias (segregadas), ciclofaixas e faixas compartilhadas, derrubando a tese ou desculpa pálida defendida por alguns de que seria impossível implantar ciclovias em avenidas pré-existentes.
Sobre quem tem interesse positivo ou negativo nesse projeto, tenho uma conclusão capitalista em mente: se alguns, por conta de seus negócios já estruturados nos ramos automobilístico ou de transportes, não têm interesse de que as capitais do Brasil se aproximem do modelo mais próximo de ecologicamente correto o possível e já há muitos anos implantado na Europa, pode ser do interesse de outros que estão nos ramos de estacionamentos, fiscalização e ciclismo que a implantação do sistema cicloviário ocorra o mais breve possível. Os empresários sem medo de mudanças ou os dispostos a investir em novas tendências poderão se beneficiar muito do que desponta no horizonte de nossas ruas e avenidas, umas congestionadas, outras velozes, muitas mortais, tantas imorais e fumacentas.
As bicicletas e seu universo estão chegando para consolidarem-se como o mais comum meio de transporte, comendo por fora, igual a mineirinho, mas quem já aderiu à causa não pretende largá-la. Quem já provou, sabe o que é bom e o que funciona. Vai a Paris, vai a Amsterdã, vai a Bruxelas! Experimenta!
Abrindo um comentário pertinente aqui, bicicleta não é só transporte de pobre. Detesto a segregação social velada, a hipocrisia pseudo-burguesa que existe aqui em Goiás, mas falando a verdade, os consumidores arrogantes e desinformados acham que bicicleta é meio de transporte somente (com todo o meu respeito e desejo de prosperidade a todos) para pedreiros, serventes da construção civil e entregadores de supermercado. A bicicleta é para todos. A bicicleta é o que há de bom em termos de transporte urbano. Bom será quando eu, sem medo de ser atropelado, puder deixar o meu carro em casa e não pegar aquele ônibus desumano (depois posto aqui meus comentários sobre a linha 016 da RMTC que escraviza os motoristas e saculeja e comprime os usuários desacostumados com dignidade).
Para os empresários e investidores em geral, uma dica de oportunidade: Projeto de lei federal prevê isenção de tributos para bicicletas (http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=138676).
Em nome de Jesus Cristo, que o Altíssimo abençoe a todos.
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